Tempo precioso para a educação

ROBERTO TEIXEIRA DA COSTA E ALBERTO PFEIFER

 

Sem educação, não há solução. As nações mais ricas e os países de desenvolvimento mais acelerado oferecem a melhor educação a seus povos. A Coréia do Sul cresceu entre os anos 60 e 80 graças à mobilização pela educação. Irlanda e Finlândia sobressaíram-se no ambiente europeu da década de 90 porque priorizaram a educação. A Índia do século XXI, gigante dos serviços de tecnologia, fez vultosos investimentos na educação de seus técnicos. As democracias mais estáveis, as economias mais competitivas e os lugares mais seguros têm em geral o fato de disporem de sistemas educacionais abrangentes e de qualidade.
A América Latina está ficando para trás no mundo globalizado e os governos são incapazes de melhorar a educação sozinhos. O desafio é gigantesco, complexo e exige rapidez. Conseguir maior abrangência e eficiência para reduzir o atraso foi o objetivo da conferência “Ações de Responsabilidade Social em Educação: melhores práticas na América Latina”, oferecida pelas Fundações Lemann, Jacobs e Gerdau. Duzentas lideranças empresariais e educacionais -- ministros, dirigentes de organizações internacionais e não-governamentais, cientistas e jornalistas – reuniram-se entre 22 e 24 de junho, na Bahia.

Quantidade não basta: em educação, temos que mirar qualidade de excelência. Deve-se agir na formação e na atualização dos docentes, na melhoria da administração escolar, na implementação de sistemas de avaliação do aprendizado e de prestação de contas dos processos pedagógicos, no uso de tecnologias de informação e de comunicação, na inclusão e na eqüidade social, nas técnicas de ensino alternativa e na atenção à educação infantil, como categorias de atuação cujos resultados são os mais eficazes e duradouros.

Há muitos empresários dispostos a transferirem suas experiências e colaborar na melhoria da escola pública. O estudo “Boas Práticas em Educação Básica na América Latina”, parceria do Conselho de Empresários da América Latina (CEAL) com o Instituto Latino-americano da Comunicação Educativa (ILCE), reúne exemplos de 18 países nos quais a cooperação entre iniciativa privada e governos gerou impactos positivos e aferíveis. Não é preciso inventar a roda: por toda a América Latina desenvolveram-se práticas capazes de darem conta do desafio educacional. Adaptando a contextos nacionais distintos, deve-se copiar o que dá certo e evitar erros de iniciativas bem-intencionadas, mas equivocadas.

O Estado só conseguirá lidar com a crise da educação se pactuar com as sociedades locais – e em especial com o setor privado. Chegou o momento do empresariado latino-americano engajar-se de modo efetivo nas políticas públicas educacionais. Colômbia e México já organizaram estruturas nacionais de ação do empresariado. O grupo brasileiro presente à conferência respaldou o “Compromisso Todos pela Educação”, que almeja, até 2022, oferecer educação de qualidade a todas as crianças e jovens de 4 a 17 anos.

Os candidatos à Presidência do Brasil dariam à sociedade um sinal de maturidade política se coincidissem quanto a uma plataforma básica para a EDUCAÇÃO. Poderiam divergir em tudo mais, mas na EDUCAÇÃO deveriam estar unidos. Após três dias de discussões, em meio à Copa do Mundo, a conclusão é que temos que ser campeões na educação, não só no futebol: a Educação precisa ser a verdadeira paixão nacional. Na globalização hiper-competitiva e tecnologizada, numa América Latina de democracias frágeis e sociedades instáveis, com dívida social crescente, educação de qualidade para todos é questão de segurança nacional e é garante de soberania: Educação é tudo.


Roberto Teixeira da Costa foi Presidente do Conselho de Empresários da América Latina (CEAL) por oito anos e é um dos coordenadores do Seminário Ações de Responsabilidade Social em Educação.
Alberto Pfeifer é Diretor Executivo do Capítulo Brasileiro e Coordenador Internacional do Conselho de Empresários da América Latina (CEAL).