| São Paulo, quarta-feira, 21 de março de 2007 |
Folha de São Paulo |
A vez da educação MILÚ VILLELA Há dois caminhos: a perda gradual de um processo civilizatório ou a redenção de um país pela educação pública de qualidade |
HÁ POUCO mais de um ano, iniciamos um movimento para construir um projeto de nação para a educação brasileira. Era o início de uma aliança da sociedade civil em prol da educação pública, envolvendo os três entes federativos -Ministério da Educação (MEC), Conselho Nacional dos Secretários de Educação (Consed) e União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime)- e lideranças sociais e empresariais. A iniciativa ganhou fôlego. E cinco metas foram estabelecidas para dar um norte e organizar os esforços, de forma que promovesse a universalização da educação básica com qualidade para todos os brasileiros, com ênfase na alfabetização de nossas crianças. Como referência para o alcance dessas metas, foi definido o ano de 2022, quando o Brasil completará 200 anos de sua independência. Só haverá uma verdadeira independência por meio de uma educação de qualidade para todos os brasileiros. A efetivação dessa aliança ocorreu, simbolicamente, na manhã fria, mas de grande calor humano, de 6 de setembro de 2006, em frente ao museu do Ipiranga, na cidade de São Paulo. O movimento ganhou o nome de Compromisso Todos pela Educação. Surgia um novo horizonte para a educação pública em nosso país. Um compromisso de nação com as futuras gerações de brasileiros, provendo-as do bem mais importante que um cidadão deveria desejar para si, uma educação de qualidade. O desafio que agora se configurava era como implementar o Compromisso
Todos pela Educação como um projeto de nação,
e não de governo. Ele próprio
deu o tom da mudança, com um pronunciamento
firme e desejoso de transformar a realidade educacional em nosso
país,
ao dizer: "Estou aqui apenas representando uma demanda de que
sinto necessidade, mas quem dará a resposta, certamente, serão
vocês, e não eu". O ministro
Fernando Haddad, com firmeza, apresentou por quase duas horas o Plano
de Desenvolvimento da Educação. Em sua
fala, lançava as bases de uma nova educação,
com foco no aluno, na sua aprendizagem e numa gestão escolar
pautada em resultados. Isso, segundo o ministro, representava o esforço
continuado de muitos anos, aproveitando o que de melhor cada experiência
governamental do passado trouxe para a área. Apesar da visão sistêmica inserida no plano, a prioridade é a educação básica, por meio do decreto presidencial intitulado Programa de Metas Compromisso Todos pela Educação, e, assim, o governo federal reafirmava os princípios concretos para uma ação perene e pela certeza de que ali se iniciava um novo momento da história da educação brasileira. O Ministério da Educação continua a fazer o seu dever de casa, com um projeto sólido para a educação pública. É preciso agora que cada brasileiro, comprometido com um projeto de nação, se engaje nessa luta que deve ser de todos. Por fim, temos dois caminhos a seguir: a perda gradual de um processo civilizatório ou a redenção de um país verdadeiramente independente pela educação pública de qualidade para todos. |
| Milú Villela, 60, presidente do Faça Parte - Instituto Brasil Voluntário, é embaixadora da Boa Vontade da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e membro-fundadora do Compromisso Todos pela Educação, além de presidente do MAM (Museu de Arte Moderna) e do Instituto Itaú Cultural. |