São Paulo, terça-feira, 27 de maio de 2008

Gazeta Mercantil
INTERNACIONAL

Empresários criticam as nacionalizações

ROSANA HESSEL

 

O Conselho Empresarial da América Latina (CEAL) divulgou ontem uma declaração de repúdio às nacionalizações em curso em alguns países da região, como a Venezuela.

"Os processos de nacionalização realizados não somente na Venezuela, mas também na Bolívia e no Equador, prejudicam os países vizinhos e ameaçam a democracia, a liberdade de expressão e as empresas nesses países", disse o coordenador internacional do CEAL, Alberto Pfeifer.

"A declaração é um repúdio às práticas que não respeitam a livre iniciativa e afugentam investimentos, especialmente para Brasil e Peru, que acabaram de conquistar o grau de investimento e também investem nesses países", disse Pfeifer, lembrando o caso da siderúrgica Sidor, nacionalizada na Venezuela. "A empresa é multinacional. Tem controladores argentinos, italianos e brasileiros e todos perdem com essa nacionalização", afirmou.

De acordo com o executivo, há um impasse no momento sobre o valor a ser pago pela nacionalização da siderúrgica. "Enquanto o governo venezuelano ofereceu US$ 600 milhões, os acionistas da Sidor pedem US$ 3,4 bilhões. Esperamos que eles consigam chegar a um preço justo para ambos os lados."

"Recentes medidas de expropriação verificadas na Venezuela, sem a correspondente compensação justa, em nada contribuem para o crescimento nacional", diz a declaração do CEAL que pede um posicionamento não somente dos empresários mas também dos governos "para ratificarem o compromisso com os processo de mudança, de modernização e de globalização dentro de um marco democrático".

O documento da entidade criada em 1990 e que reúne 450 empresários de 18 países latino-americanos - como Argentina, Uruguai, Bolívia, Brasil, Colômbia, Chile, Equador, Guatemala, México, Panamá, Paraguai, Peru e Venezuela - será entregue no domingo ao secretário geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, informou Pfeifer. O secretário da OEA participará da Assembléia Geral da organização, de 1 a 3 de junho, em Medellin, Colômbia. Paralelamente, segundo Pfeifer, haverá uma cúpula de empresários na cidade colombiana na qual também será apresentado a declaração.